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Escolaridade

O rapaz está no 11º ano


Estar sempre em casa

por paranoias-de-mae, em 20.03.20

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Devido ao covid-19, as escolas estão fechadas, os alunos estão em casa. Apesar de para o meu filho isso não ser um castigo, pois ele adora estar em casa, ele está consciente da gravidade da situação e está preocupado.

Estamos todos preocupados com a situação actual do país, mas não nos podemos deixar vencer pelo medo, e claro ter todos os cuidados possíveis e recomendados, e, principalmente não sair, ou evitar ao máximo, sair de casa.

Ele que se interessa por história, já andou a verificar as crises e epidemias que já aconteceram, no passado e já fala do assunto com alguma maturidade, faz comparações, e diz que possivelmente, quando este período passar virá uma crise económica.

Desejamos que tudo isto passe, e que voltemos o quanto antes à normalidade!

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O bom exemplo

por paranoias-de-mae, em 12.03.20

Sempre achei que para educar e ensinar teria de primeiro dar um bom exemplo. Na maioria das vezes, ou na maioria dos assuntos, resultou bem.

Começando pelas discussões, nunca gostei de discussões, de gritos. Felizmente é raro acontecer cá em casa. Quando acontece, ele estranha logo, e pede para não falarmos alto.

As pastilhas elásticas eram para ser uma experiência mais tardia, mas certa vez, tinha ele uns cinco anos e vi a mãe de uma colega a dar-lhe uma, por sorte estava por perto, pedi que não desse porque ele não sabia "comer". Fui logo a seguir comprar duas pastilhas elásticas para "mastigar"  com ele e dizer-lhe como aquilo funcionava. Felizmente é coisa que raramente pede.

Em relação à lavagem dos dentes: habituei-o de pequenino, quando ainda era eu que lhos escovava. Sofri tanto em pequena por não ter este ensinamento, que me dediquei a este assunto, desde cedo. Felizmente, hoje em dia,  nem é preciso mandar, ele vai e sabe como é uma tarefa super importante.

De seguida, cá em casa ninguém fuma. Nem os parentes mais próximos! Ele tinha apenas 5 anos quando estávamos estacionados num parque de uma loja à espera do pai, era hora de sol posto,   ele viu um senhor a fumar, e disse-me inocentemente: "olha mãe aquele senhor tem um chupa que brilha!" Quando ele mais tarde percebeu o que significava fumar, expliquei-lhe que fazia mal à saúde. Uma vez estava num parque a brincar com uma amiguinha, viu o pai desta a fumar, veio ter comigo, e em segredo pediu-me se eu podia ir avisar o senhor, que aquilo fazia mal à saúde. Respondi que ele sabia.

Recentemente quando vi na escola dele um menino com quem ele chegou a brincar e mais novo que ele a fumar, fiquei preocupada. Tivemos uma conversa com ele e dissemos que se alguma vez ele sentisse vontade de experimentar para nos pedir a nós e não fumar nada que lhe dessem. Garantiu-me que nunca fará isso. Mas nunca se sabe, a vida muda, as ideologias também podem mudar.

Outra coisa: sacos ecológicos. Ele nunca ou raramente  me viu usar/comprar sacos de plásticos. Na escola, quando fazia trabalhos, de ciências sobre a matéria tinha em mente a lição, não só a estudava como a aplicava. Uma vez no supermercado a menina da caixa perguntou-me se queria saco, eu percebi que a pergunta era se tinha saco, então respondi que sim, e ele olhou para mim chocado e disse "Mãe, vais levar um saco plástico!?", respondi imediatamente que não!

Na mesma linha, não deita lixo para o chão, é capaz de percorrer uns metros até encontrar um caixote ou guardar os papéis ou outro lixo num bolso ou mochila até a casa. Em casa, separamos o lixo, e se, eu me descuido, e ele repara, aponta-me logo o melhor caminho!

Também é muito respeitoso para com os mais velhos, pois sempre lhe expliquei, que os avós eram humildes, que passaram muito, tal como as pessoas da idade deles.

Mais uma coisa: o respeito pelos animais. Sempre me viu tratar bem os animais. Tal como eu, defende-os, mesmo que sejam de rua, se vir alguém a judiar é capaz de intervir, e sendo ele tão tímido, é para mim comovente ver e perceber como tem tanta afeição e respeito por eles.

Na mesma linha, é contra a toda a violência contra eles, principalmente em  touradas.

Em relação ás asneiras, cá em casa não somos muito de dizer asneiras, até entrar para a escola havia palavras que ele nem sabia que eram asneiras. Mas hoje em dia, confesso que por vezes me descuido e é ele que me alerta. Ele raramente o ouvi dizer um palavrão!

Defender ídolos, quando ele admira uma pessoa defende-a. Aqui há uns tempos estavam na imprensa a dar noticias de alguém que ele admirava, e dizia que não acreditava, que não devia ter sido bem assim. No final veio a ver-se e a pessoa estava inocente.

Também defende os amigos, aqueles que acha que conhece bem, e que serão amigos para sempre!

Em relação aos legumes. Cá em casa sempre gostei muito de sopa, de algumas saladas. Habituei-o desde pequeno, mas, nesta matéria, o exemplo não serviu de nada, ele detesta sopa, legumes! 

Outro exemplo que não surtiu efeito, é o ter paciência para esperar, principalmente em filas. Sempre lhe disse para ter calma para saber esperar. Mas na escola, por exemplo,  se a fila para o bar estiver muito grande, prefere não comer!

Nem tudo é perfeito, mas sei que será uma boa pessoa, bem formado, com bons princípios e valores. É muito correto, mas ao mesmo tempo ingénuo, porque sendo ele assim, julga que os outros também são. É aí que tento que ele entenda, que nem todas as pessoas são sérias!

Que ele seja feliz, honesto e equilibrado, é o que desejo e para isso que "trabalho"!

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A minha história não se compara à dele

por paranoias-de-mae, em 08.03.20

Eu lutei tanto para que me deixassem estudar. Naquela época não era obrigatório, ou se era, a maioria das pessoas não cumpria. Mas eu queria estudar. Eu queria ser professora de escola primária. Eu não podia apanhar crianças em casa que arranjava logo papel e lápis e fazia de professora.

Eu ensinei as minhas primas mais novas, filhas de amigas, vizinhas. Mas todo o meu percurso foi difícil. Como tinha irmãos mais velhos que não tinham estudado, ditava a tradição que também não tivesse o direito a estudar. Mesmo que na minha época, tendo alguma diferença de idade deles, as condições dos meus pais tivessem melhorado.  Quando reprovei no 9º ano pensei que seria o fim. Porque a conversa era "se fazes isto, sais da escola"; " se fizeres aquilo, tiro-te da escola"; " se arranjares namorado, sais da escola"; " se chumbares, acaba-se a escola". Cumpri sempre tudo, mas reprovei com 3 negativas, e, passava se tivesse 2.  Por isso, implorei que me dessem mais uma oportunidade. Eu já pensava que mesmo que não conseguisse ser professora, ia conseguir um melhor trabalho com estudos. Aquilo que hoje chama bulyng tive até ao primeiro 9º ano, mesmo assim, adorava a escola. Consegui concluir o 12ºano.

Lamento que nessa época ninguém me tenha dito que podia trabalhar e estudar ao mesmo tempo, se tivesse essa informação, teria lutado um pouco mais.

É por tudo isto que tento ao máximo que o meu filho siga nos estudos, que se esforce, mas ele tem tudo tão facilitado, que não se rala com nada, que anda no deixa andar.

Parece que sou só eu a incentivá-lo, porque sei o que passei, e só queria o melhor para ele. E ele um dia disse que gostava de ser professor. Mas ele não percebeu ainda, que tem de trabalhar para isso!

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